terça-feira, 18 de novembro de 2014

III

III
vagueio pelo dorso da fera.
seus pelos de fogo.
as luas em suas pontas,
todas minguantes,
e o olho de gelo
lançando sobre tudo
seus raios estagnantes.
procuro pela Grande Dançarina,
faz-me falta suas vestes negras
esvoaçantes.
Mas as luas ainda não estão cheias,
e minha guitarra está desafinada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

II

Gira a ardente lâmina,
capitã de todos os navios loucos.

Olhos de pedra
vertem lágrimas,
rolando a esmo,
vítimas dos seus próprios
marasmos,
deixando atrás de si
as ligações extintas
com o coração do fogo.

Gira a ardente lâmina,
roda louca do mundo,

singrando breus,
bailando
entre lâmpadas-
estrelas.
traga sua alma amanhã,
quando você vier buscar aquele livro,
e não se esqueça de esmerilhá-la
porque o mercado é exigente.

sugaram a minha toda ontem
enquanto eu, distraído,
dava de comer aos meus olhos cansados.

vamos vender também o que nos resta de ossos,
sobretudo a espinha dorsal,
um amigo meu os vendeu ontem.
até que ele se vira se arrastando por aí,
só com pele e carne,
espetáculo meio triste,
mas o ruim mesmo são as formigas,
e os cães que mijam em qualquer lugar.

e essa inteligência que você tem no bolso?
cuidado, a essa hora na rua...está fazendo volume.
deixe-a aqui em casa
que eu estou precisando mesmo
de um peso de papel.

boa noite.
durma bem.

sonhos?!

não os tenho mais,
vendi a um poderoso mercador,
os dele estavam minguados,
aguados.
os meus queimavam, aguardente,

meus dentes?

não. preciso deles.
às vezes não entendo direito a novela,
e preciso mastigar por horas a fio
antes de dormir